Apps de transporte são chamados à Câmara para discutir segurança de motoristas

02 de Dezembro de 2019

A audiência pública foi proposta pelo deputado Luis Miranda (DF).

Ser motorista de aplicativo no Brasil virou uma profissão de risco. Os inúmeros casos de violência mostram isso. Por essa razão, as empresas Uber e 99Pop serão chamadas à Câmara para debaterem a segurança da categoria. A audiência pública foi proposta pelo deputado Luis Miranda (DF).

Os dados da violência chamam a atenção. No Distrito Federal, que protagonizou no final de semana de 11 e 12 de outubro dois assassinatos de condutores de App, o cenário é crítico. Entre janeiro e junho de 2019, ocorreram 71 roubos com restrição à liberdade de motoristas. São 57 casos a mais do que o mesmo período do ano passado. As informações são da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e foram publicadas pela imprensa. É uma média de um assalto a cada dois dias e meio.

Não há uma estatística nacional, mas há recortes feitos localmente. No Rio Grande do Sul, por exemplo, em três anos, mais de 2,2 mil motoristas de aplicativos foram assaltados, segundo o governo deste estado. Em setembro, a Grande São Paulo registrou dez casos de violência envolvendo motoristas de aplicativo – cinco foram mortos.

A violência para motoristas no Brasil se tornou destaque no exterior. Um artigo publicado pela Business Insider, com dados do The New York Times, apontou que “requisitos frouxos de identificação”, ocasionou a morte de, no mínimo, 16 motoristas que aceitaram corridas com pagamento em dinheiro, no Brasil.

Para o propositor da audiência pública, o deputado Luis Miranda, o Brasil não pode esperar nem mais um segundo para resolver essa questão. “Estamos vendo todos os dias pais de família, que optaram por esse trabalho, sendo assaltados e mortos. Eles saem de casa, mas não sabem se voltam. Por isso a importância deste debate”, preocupa-se o deputado.

A audiência ocorre no dia 3 de dezembro, às 16h30, e terá a presença, além dos representantes das empresas, membros do governo federal e do Distrito Federal, além de especialistas.