Pensando como cigarra

31 de Outubro de 2017

Artigo do deputado José Carlos Aleluia originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 31/10/17

“A cigarra e a formiga” é uma fábula que data de mais de dois mil anos. O registro mais remoto foi feito por Esopo na Grécia Antiga. Mas é a versão do francês Jean de La Fontaine, no século XVII, que popularizou a estória da formiga que trabalhou duro no verão e se precaveu contra as tormentas do inverno, enquanto a cigarra cantava.

Ao lembrar dessa fábula que a nos ser contada na infância nos deixa a lição da necessidade de construirmos o futuro com ações no presente, me questiono como podemos seguir suprindo, de forma confiável, a energia essencial para o desenvolvimento humano em nosso país sem danos ao meio ambiente, à estabilidade social, e sem comprometer o bem estar das futuras gerações.

A solução exige planejamento de longo prazo, procura de fontes sustentáveis e responsabilidade na execução de programas. Infelizmente o que tem sido feito em mais de três décadas com a nossa segurança energética não é nada disso. Muito pelo contrário. Facilmente integraria o Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá), do inesquecível Stanislaw Ponte Preta.

Embora a natureza esteja sempre em nosso favor, as cigarras têm mandado mais do que as formigas. Nossos rios são generosos, mas são tratados como esgotos e suas matas ciliares destruídas sem dó nem piedade deles e de seus ribeirinhos.

No melhor estilo da extinta União Soviética e com os mesmos vícios do comunismo, tardamos em pesquisar e descobrir as nossas imensas reservas de petróleo e gás. E, quando as localizamos, perdemos mais de 10 anos com a invenção de modelos exóticos de exploração, que só impediram que hoje estivéssemos produzindo mais de sete milhões de barris por dia.

A generosidade da natureza não tem limites com o Brasil. Por aqui, existe vento favorável até para quem não sabe pra onde vai, contrariando o filósofo romano Sêneca, que dizia: “o vento não sopra a favor para quem não sabe pra onde ir”. Ninguém imaginava, quando, por minha iniciativa, há mais de 15 anos, foi criada a lei do Proinfra, que a energia eólica, em um domingo do início deste mês, seria responsável por 71% da eletricidade consumida na região.

Se não bastassem o melhor conjunto de rios vocacionados à geração de energia, uma boa reserva de petróleo e gás, e ventos classificados entre os melhores do mundo para mover cataventos, ainda temos o sol a brilhar em nosso território. Ao lado da eólica, a energia solar pode transformar o Nordeste de importador em exportador energético.

Como seria bom se os que nos governam como cigarras pudessem ter uma temporada de formiga e concebessem uma política científica e industrial no campo das energias renováveis e de conservação no uso do potencial energético. Quem sabe o sol não nasceria para todos, os ventos soprariam para um horizonte brilhante e os rios voltariam a correr para o mar.