O perigo mora ao lado

14 de Agosto de 2017

por Felipe Maia, deputado federal – DEM/RN

 

Imagine um lugar onde quase 10 milhões de pessoas fazem duas ou menos refeições por dia e aproximadamente 93% da população não tem condições de comprar alimentos. Some-se a isso o fato de 30% dos habitantes viverem abaixo da linha de pobreza. Essa realidade não faz referência a países africanos e nem a Síria durante o período atual. O país está mais próximo que se imagina e faz fronteira com o Brasil: a Venezuela. Os tristes dados revelados por universidades venezuelanas refletem o duro golpe do bolivarianismo na nação vizinha.

Considerado o Socialismo do século XXI, o conceito sustentado pelo general Simón Bolívar não trouxe a bonança esperada, muito menos o progresso das nações que abraçaram o ideal. Pelo contrário, a Venezuela enfrenta um dos piores períodos de sua história em que o acesso a direitos básicos foi suprimido. Além disso, implica-se o fato de que o governo ditatorial de Nicolás Maduro, discípulo de Hugo Chávez, ter desferido golpes incessantes a democracia.

De acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de cinco mil pessoas foram detidas de forma arbitrária na Venezuela, outras milhares continuam detidas e centenas foram assassinadas. Violência aos direitos humanos e à liberdade de imprensa colocaram em xeque o modelo defendido por Maduro. Todavia, os números da barbárie podem ser maiores em razão da omissão de dados por parte do governo venezuelano.

A inflação, por exemplo, chegará aos 720% neste ano e poderá alcançar os 2000% em 2018, segundo projeções divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse quadro só favorece a crescente insegurança jurídica e econômica. A Venezuela de antes, conhecida pela pujança da época áurea do petróleo atualmente amarga a falência e o descaso governamental.

Não bastasse o cenário caótico vivenciado, foi eleita no final do mês de julho a Assembleia Constituinte venezuelana composta apenas por governistas numa eleição suspeita e fraudulenta, como alega a oposição. Estados Unidos, Colômbia, Peru, Espanha, Argentina, México, Costa Rica, Paraguai e Panamá não reconheceram a autenticidade desse pleito. Já Brasil, Chile e Canadá denunciaram a prática violenta e a eleição que contou como primeiro ato a destituição da procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega.

O mundo acompanha estarrecido às últimas notícias do país. Como consequência dessa perigosa crise política, o Mercosul após diversas tentativas de diálogo, suspendeu a Venezuela do bloco com base no desrespeito ao Protocolo do Ushuaia, iniciativa que estabelece os compromissos democráticos dos países que compõe o grupo. Além disso, a ONU acusou Maduro de violar os direitos da população por meio de torturas e maus tratos aos manifestantes. O governo norte-americano, por sua vez, maior comprador de petróleo venezuelano, promoveu sanções jurídicas e financeiras. Já o Brasil pretende levar uma comissão composta por parlamentares para visitar o país e entender de perto a situação.

Entretanto, diante de toda essa preocupação global com o presente e futuro venezuelano, no Brasil existe um grupo que apoia e defende o sofrimento e a miséria ocasionados por esta ditadura. E o pior disso é ver políticos brasileiros adotando a Venezuela de Chávez e Maduro como um exemplo a ser seguido. Não ficaram satisfeitos com os 13 anos de Lula e Dilma à frente do país que deixou mais de 14 milhões de desempregados, elevou a inflação brasileira e trouxe a insegurança econômica.

A Venezuela que sustentou por anos a posição de mais rico da América Latina, hoje sofre as duras consequências do chavismo e bolivarianismo. O abuso aos direitos da população, a miséria, a violência e a repressão as manifestações contrárias simbolizam o legado do atraso e o terror bem ao nosso lado. Uma nação se faz com a pluralidade de ideias, a participação da sociedade nos debates de interesse da nação e a liberdade de escolhas. Infelizmente, o cenário ditatorial impede que o povo venezuelano possa se libertar das amarras da opressão. Exemplo que o Brasil poderia ter adotado, porém e por felicidade, não passou de um ensaio melancólico do governo petista. Enquanto isso, observamos e rogamos dias melhores para os hermanos venezuelanos.