O Descobrimento do Brasil passa pelo RN

23 de Abril de 2018

Deputado Felipe Maia (DEM-RN)
Publicação original Tribuna do Norte 22/04/2018

O dia 22 de abril de 1500 sacramentou, o empenho dos portugueses nas grandes navegações, era então descoberto, oficialmente, o Brasil, acontecimento histórico para os brasileiros e portugueses que comemoram o dia de hoje com ufanismo. No entanto, a história que o país conhece narrada dos livros ganhou outros capítulos e a teoria de que o descobrimento brasileiro deu-se, na verdade, por terras potiguares, mais precisamente por Touros, ganha contornos e acende o debate da chegada dos portugueses pelo Rio Grande do Norte.

No século XV, Portugal despontava como pioneiro nos descobrimentos marítimos, o país tinha o apoio da nobreza e dominava as técnicas de construção de embarcações e instrumentos de orientação náutica. A necessidade de abrir outras rotas comerciais e a posição estratégica levou Portugal a desbravar o Atlântico, todavia ao mesmo tempo em que o país promovia as suas expedições havia também a necessidade de manter as conquistas em segredo em virtude da disputa com os espanhóis. Por conta disso, credita-se a falta de registros detalhados sobre a chegada dos lusos em solo brasileiro e também a divulgação de informações falsas sobre as conquistas a fim de preservar o progresso português.

O historiador potiguar Lenine Pinto trouxe vários elementos em sua pesquisa que deu voz a teoria da descoberta do Brasil pelo nosso estado. Dentre os que se pode destacar, está a carta descrita por Pero Vaz de Caminha que fazia menção ao descobrimento. O documento trazia a informação de que a esquadra cabralina avistou um monte muito alto e redondo que seria o então Pico do Cabugi, muito diferente do Monte Pascoal, na Bahia, que se constituía por ser uma torre sem pico, levando a crer que os portugueses realmente descreveram a chegada ao Rio Grande do Norte.

Outro ponto abordado pelo historiador e pesquisador Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto foi o trabalho de reconhecimento do Novo Mundo atribuído ao navegador Duarte Pacheco Pereira  que percorreu o litoral brasileiro antes de Cabral. Segundo o historiador, a verdadeira descoberta do país deu-se antes de 1500 e por Duarte Pacheco que percorreu o Brasil muito além do estabelecido pelo Tratado de Tordesilhas, termo assinado entre o Reino de Portugal e a Coroa Castela (Espanha) para dividir as terras encontradas fora da Europa. Como Portugal mantivera segredo sobre suas conquistas, esse poderia ter sido o primeiro relato da chegada lusitana em território potiguar.

Fato que também depõe a favor dos potiguares é que naturalmente, as correntes marítimas trariam as naus e caravelas para o nosso estado. Prova disso é que a esquadra de Cabral percorreu 2 mil milhas pelo litoral e fixou o segundo padrão de posse na Cananeia e o primeiro havia sido cravado em Touros. O padrão de posse é uma pedra trazida pelos portugueses que atestava a posse de terra por Portugal. Caso a expedição tivesse partido realmente de Porto Seguro, o destino teria sido a Patagônia argentina, e não o Brasil. Essa seria mais uma prova da existência do RN nesta descoberta.

No dia do descobrimento, não se quer levantar polêmica a respeito da história do Brasil, contudo, precisamos esclarecer e promover o debate saudável para termos a certeza de que a biografia do país está sendo contada corretamente para que as próximas gerações entendam a importância do RN para o Brasil. Um estado pequeno em extensão, porém gigante em potencialidades. O RN é o maior produtor de energia eólica do país, colocando o país no 8º lugar no ranking mundial. Além disso, o estado se destaca como maior produtor de sal marinho, sendo responsável por mais de 95 % da produção nacional e também mantém a liderança na indústria atuneira. Outro orgulho para o estado é a produção frutas, produtos que são exportados para vários países. As belezas naturais testemunhadas pela expedição portuguesa também colaboram para o nosso estado ser um vocacionado natural para o turismo. Rio Grande dos sertanejos, de Câmara Cascudo, de Dona Militana, do pioneirismo do voto feminino, da bravura do povo do Oeste que expulsou Lampião, Rio Grande de tantos homens e mulheres de bem que ajudaram a transformar a história do país. Viva Brasil e salve o RN, nascedouro brasileiro!