Minas deve ter autonomia política

09 de Agosto de 2018

Bonifácio de Andrada – QUINTA-FEIRA, 9 DE AGOSTO DE 2018

Vivemos nesses dias, nas nossas ocorrências políticas, momentos que representam fatos excepcionais e certamente de constrangimentos para todos que acompanham o marchar da luta eleitoral.

O estado de Minas Gerais, na verdade, sofreu duas grandes intervenções, o que faz que possamos olhar o passado para concluir como apresenta o cenário atual.

Primeiro, o Partido Social Liberal (PSL), do candidato Márcio Lacerda, através de sua chefia, em Pernambuco determinou que ele deixasse de concorrer à vaga para o governo do Estado.

A intervenção ocorreu de maneira escandalosa, na sua instituição partidária, anulando praticamente as possibilidades políticas em torno do seu nome.

Esse fato revela que a chefia do partido em Pernambuco deu ordem para que Minas Gerais não exercitasse, através do seu candidato, o caminho político eleitoral de alta importância.

Já o segundo caso, embora de uma maneira mais amena, mas não deixando de ser uma intervenção, na campanha do jovem deputado Rodrigo Pacheco, que tinha como certo sua candidatura ao governo do Estado, mas a direção Nacional do Partido acompanhado de um candidato a governador e do presidente da Câmara dos Deputados pressionaram Pacheco de tal maneira, que ele desistiu de ser candidato ao Governo do Estado e se ajustou a uma candidatura ao Senado Federal.

Observamos que, personalidades que merecem respeito, do Rio de Janeiro e São Paulo, estão intervindo em Minas Gerais no processo político eleitoral.

Estamos assim, diante de dois casos que ferem as velhas tradições de independência da autonomia dos mineiros, aliás, em 1930, a reação foi uma revolução , quando o governante de São Paulo e a Presidência da República tentou impor seu candidato a sua sucessão, quer dizer está faltando o espírito de 1930 nos dias de hoje, para que Minas possa entender que o estado deve ter autonomia para resolver seus problemas.

O afastamento do jovem candidato Rodrigo Pacheco até podia ocorrer, mas de forma menos intervencionista de forças políticas distantes do nosso estado, que vieram ditar caminhos que cabem aos mineiros escolher e praticar.

Portanto, os dias de hoje devem ser vistos com certo pessimismo, porque não só na área econômica, na social e também na política não há firmeza e destreza em Minas Gerais, para defender as velhas tradições do nosso Estado.