As eleições e os falsos profetas

26 de Junho de 2018

Deputado José Carlos Aleluia, 26 de junho de 2018.

Em um histórico discurso inaugural de 2º mandato, Roosevelt definiu que uma nação deve se recusar a deixar os grandes problemas aos ventos do acaso.

Faço questão de ressaltar essa máxima do pós-crise de 1929 para falar dos ventos que sopram em nosso pós-crise e os caminhos que devemos construir.

A maior parte de nossos vizinhos está dando exemplo: Chile, Argentina, Paraguai e agora Colômbia fizeram escolhas maduras em suas eleições. Disseram não ao populismo de novos caudilhos e suas promessas de um capitalismo de Estado, e sim à democracia, à liberdade e à economia social de mercado. Novos ventos protagonizados por novas escolhas.

Do governo, espera-se um líder forte, mas que mantenha relações harmônicas entre os poderes e um diálogo aberto com a população. Do parlamento, espera-se responsabilidade. Evitar o discurso fácil e a de demagogia das redes sociais e colocar o pé no chão da razoabilidade para discutir a sério as graves questões do país.

Foi nesse sentido que apresentei o projeto que autoriza a Petrobras a buscar parceiros na exploração de seis campos de regime de cessão onerosa do Pré-Sal (menos de 10% das reservas). A empresa admite não ter condições de assumir sozinha um compromisso firmado com a União em 2010 e quer dividir os investimentos.

O projeto vai permitir uma produção adicional de 850 mil barris por dia, vinte vezes mais do que a produção de todos os poços da Bahia somados. Significa uma arrecadação adicional de R$ 100 bilhões em royalties, sendo R$ 40 bilhões aos municípios. Previsão de 500 mil empregos criados em toda a cadeia.

Estamos de uma só vez resolvendo o problema de liquidez da Petrobras, reaquecendo o setor de óleo e gás, amenizando a crise fiscal dos estados e municípios produtores e gerando empregos.

Nada, no entanto, invalida a posição de parte da esquerda que se opõe ao projeto em seu dogmatismo ideológico de quem entende a economia a partir da força motora estatal. É justo, embora se esqueçam que a queda da União Soviética se explica em boa parte pela sua incapacidade em extrair o petróleo das reservas do Mar Cáspio.

Já a outra parte tem adotado um tom de quem resume a política a um dualismo infantil do bem contra o mal assustando a população com acusações irresponsáveis.

São esses mesmos falsos profetas que estarão vendendo ilusões nas eleições de outubro. Assim como nossos vizinhos, o eleitor brasileiro precisa saber reconhecer esse tipo lesivo à boa política de uma democracia madura.

Depois de uma crise profunda, similar ao período que antecedeu o discurso de Roosevelt, o Brasil não pode deixar seu destino aos ventos do acaso. Vamos fazer as escolhas que irão construir o nosso próprio caminho.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 26/06/2018