É tempo de reformas, sim!

02 de Maio de 2017

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 02/05/2017

O desemprego já aflige 14 milhões de famílias brasileiras. Os números são reais e se manifestam entre nossos parentes, amigos, conhecidos e vizinhos. Quem hoje não tem alguém próximo que esteja desempregado? Isso não é abstração. É a triste realidade que, para muitos desses desafortunados, se traduz na incerteza de saber como colocar o pão de cada dia na mesa.

A situação é alarmante e sem precedentes em nossa história econômica. Negar a necessidade de reformas ou tentar adiá-las neste contexto é uma grande demonstração de insensibilidade que beira a irresponsabilidade. É tempo de reformas, sim!

Dificuldades existem. A crise econômica decorrente do populismo, particularmente nos últimos três anos, o afastamento da presidente da República e os inúmeros processos de investigação, envolvendo atores políticos, semearam ressentimentos e abalaram a confiança das pessoas.

Baixo nível de confiança e ressentimentos não costumam ser bons fundamentos para uma reconstrução transformadora, em clima de paz. Como diria Drummond, “há uma pedra no meio do caminho”. Mas precisamos removê-la, conscientizando a sociedade que as imprescindíveis reformas em curso no Congresso Nacional são a nossa alternativa constitucional e democrática.

É tempo de reformas, sim, para impedir que os radicais de esquerda e de direita se aproveitem da amargura e das desilusões. E surjam com propostas miraculosas que invariavelmente causarão ainda mais amargura e desilusões. O Brasil não suportaria mais esse baque sem sucumbir.

Já foi dado um passo importante na questão trabalhista. Estamos nos libertando de uma legislação elaborada há 70 anos, sob a inspiração fascista de Benito Mussolini, quando ainda éramos um país rural. A votação na Câmara Federal, favorável às mudanças, modernizou as relações de trabalho, adequando-as aos novos tempos e sem eliminar direitos sagrados dos trabalhadores.

Ah! Mas o imposto sindical deixou de ser obrigatório e passa a ser facultativo. Pois é, a quem interessa mesmo a manutenção dessa obrigatoriedade, senão a milhares de sindicatos pelegos que atendem mais aos interesses de seus dirigentes que dos seus representados.

Os distúrbios sociais causados pela violenta e inoportuna greve geral da última sexta-feira deixaram bem claro de que lado estão os pelegos. Na iminência de perderem os R$ 3 bilhões, arrecadados com o imposto sindical, eles não pestanejaram em promover uma baderna nacional.

É tempo de reformar, sim, para não ficarmos presos a um modelo de previdência que beneficia uma pequena casta de servidores públicos em detrimento da grande maioria dos brasileiros. A reforma da previdência é necessária não só para manter a solvência do estado, mas, principalmente, para garantir o futuro e a superação da pobreza, com mais investimentos em saúde e educação.