Artigo (A Tarde): Asa Branca da Esperança

27 de Junho de 2017

Deputado José Carlos Aleluia (BA)
Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 27/06/17

“Quando olhei a terra ardendo/Qual fogueira de São João/Eu perguntei a Deus do céu, ai/Por que tamanha judiação/Eu perguntei a Deus do céu, ai/Por que tamanha judiação”.

Considerado o hino do Nordeste brasileiro, “Asa Branca” está completando 70 anos. Em 1947, os talentos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira se reuniram para conceber essa canção que retrata as atrozes consequências da seca, mas também a esperança do sertanejo, que, como já disse o escritor Euclides da Cunha, “é antes de tudo um forte”.

A efeméride dos 70 anos de “Asa Branca” e as festas juninas que, depois do São João, se estendem até São Pedro, me trazem lembranças de 1987. Naquele ano, eu presidia o conselho e a diretoria da Chesf e, na comemoração dos 40 anos da empresa, resolvemos homenagear o grande engenheiro Marcondes Ferraz e o genial sanfoneiro Luiz Gonzaga.

Com humanismo e competência técnica, Ferraz liderou a implantação da primeira hidrelétricas em Paulo Afonso, sem desviar o Rio São Francisco. Gonzagão, por sua vez, a cantou com seu empolgante baião: “Ouço a usina feliz mensageira/Dizendo na força da cachoeira/O Brasil vai, o Brasil vai”.

Passar dois dias na companha desses dois gênios e presenciar suas saborosas conversas fortaleceram a minha visão prudente da vida e da política, que valoriza o passado e vive o presente pensando no futuro. Um rei da engenharia e o outro do baião fizeram história e deixaram lições, nem sempre seguidas por quem hoje tem o dever de não tratar o interesse público “igual fogueira de São João”.

Na canção “Asa Branca”, se descreve o ciclo da seca, mas se mantém viva a esperança de “o verde de teus olhos se espalhar na plantação”. Infelizmente, embora a estiagem seja frequente na Bahia, já se vão quase 11 anos sem a construção de uma única providência estruturante para ajudar o nosso sertanejo a conviver com a natureza.

Os projetos de irrigação de Baixios de Irecê e Salitre sofrem todo tipo de interferência, com a omissão e a ação desastrada dos agentes públicos. Isso tem impedido a produção e a geração de riquezas, desperdiçando-se vultosos investimentos federais. Barragem nova nenhuma!

O momento é de mobilizar a bancada da Bahia e elevar a pressão para que esses investimentos possam gerar os benefícios tão esperados. Os representantes baianos em Brasília precisam se unir também para a implantação de dois canais importantes para o nosso semiárido: o Canal do Sertão Baiano e o Canal de Xingó.

A seca é um fenômeno da natureza com o qual devemos aprender a conviver da melhor maneira possível. Mas a violência que grassa pelo interior e todo o estado da Bahia é consequência da falta de políticas eficientes de segurança pública nesses 11 anos de governo petista. A Bahia quer mudar. E a capital, Salvador, é o farol da esperança